Não pense que um dia eu saí
Sorrindo sem quê por você.
Não é porque quero-te aqui,
Que podes vir quando quiser.
Não é porque a falta me faz
De boba e do que lhe calhar,
Que podes chegar feito onda
E levar minhas conchas pro mar.
Meus dias são poucos e meus.
E tens de mim, poucos e bons.
E, desses nossos dias, há céus,
Manhãs e manchas de batom.
Não trate-me feito boneca,
Mas cuide de mim como tal.
E um dia eu talvez seja dessas
Meninas que gostam do igual.
Se fosses de mim o melhor,
Serias ainda ruim.
E os restos do que foi um só
Seriam, pois, restos ao fim.
Não ligo, não quero dizer;
Não quero matar nem morrer;
Tentar e perder, a mercê;
Se for por você,
Não serve pra mim.
26.12.12
17.12.12
Ver-te
Quantos braços e abraços
Quantas pernas e penas
Tantas léguas de passos
Tantos quase poemas
Risos meio fingidos
Que eu cansei de te dar
Dos meus olhos fugidos
Tão cansados de olhar
E esse nariz torcido
Que eu já sei contornar
E esse jogo no escuro
Que eu te deixo ganhar
Só pra ver-te sorrir
Só pra ver-te brincar
Só pra ver-te dormir
Só pra ver-te.
Quantas pernas e penas
Tantas léguas de passos
Tantos quase poemas
Risos meio fingidos
Que eu cansei de te dar
Dos meus olhos fugidos
Tão cansados de olhar
E esse nariz torcido
Que eu já sei contornar
E esse jogo no escuro
Que eu te deixo ganhar
Só pra ver-te sorrir
Só pra ver-te brincar
Só pra ver-te dormir
Só pra ver-te.
30.11.12
A história de como eu perdi meu sono
Um dia eu acordei cansada
De tanto dormir sem sono
De tanto pensar na vida
De só sonhar por engano
E era tanta coisa triste
Que só me cansava mais
Pensando em tudo o que existe
Tanto quanto era capaz
E o lamento ia aumentando
Até que virou preguiça
E o meu sono profanado
Virou mais uma premissa
Pra perder o sono sempre
E acabar só vadiando
Nas horas sem som da noite
Que viraram horas de pranto
E que me abraçaram sempre
Quando eu não podia mais
E essa lamúria crescente
Foi-se embora e trouxe paz
Agora eu sonho acordada
E não quero mais dormir
E é na noite sempre calada
Que eu acordo pra sorrir
De tanto dormir sem sono
De tanto pensar na vida
De só sonhar por engano
E era tanta coisa triste
Que só me cansava mais
Pensando em tudo o que existe
Tanto quanto era capaz
E o lamento ia aumentando
Até que virou preguiça
E o meu sono profanado
Virou mais uma premissa
Pra perder o sono sempre
E acabar só vadiando
Nas horas sem som da noite
Que viraram horas de pranto
E que me abraçaram sempre
Quando eu não podia mais
E essa lamúria crescente
Foi-se embora e trouxe paz
Agora eu sonho acordada
E não quero mais dormir
E é na noite sempre calada
Que eu acordo pra sorrir
28.11.12
Quando for
Pois se for pra ser, que seja
Que as nossas feridas jamais se curem
Que seja no chão, que seja na mesa
Que seja sofrível enquanto dure
Que eu chore de noite e ame de todo
E os pratos espatifem-se na parede
Que sejas só um entre inúmeros outros
Que nós só sejamos o tempo presente
Que o fim seja só um regalo do tempo
Mas que nós gritemos até nos cansar
Que o tempo resseque nossos sentimentos
Mas que nunca cure o nosso penar
E que se eternizem os toques e beijos
Que eu seja uma dor pra nunca passar
Que a falta que fazes me lembre por dentro
De sempre sofrer, pra sempre te amar
Que as nossas feridas jamais se curem
Que seja no chão, que seja na mesa
Que seja sofrível enquanto dure
Que eu chore de noite e ame de todo
E os pratos espatifem-se na parede
Que sejas só um entre inúmeros outros
Que nós só sejamos o tempo presente
Que o fim seja só um regalo do tempo
Mas que nós gritemos até nos cansar
Que o tempo resseque nossos sentimentos
Mas que nunca cure o nosso penar
E que se eternizem os toques e beijos
Que eu seja uma dor pra nunca passar
Que a falta que fazes me lembre por dentro
De sempre sofrer, pra sempre te amar
25.11.12
Convite II
Cada frase, uma fase
Um final pra nós dois
Mais um verso que faz-se
Entre agora e depois
Entre um adeus e outro
Nesse tempo que fez
Que um romance chuvoso
Encontrasse sua vez
Um final pra nós dois
Mais um verso que faz-se
Entre agora e depois
Entre um adeus e outro
Nesse tempo que fez
Que um romance chuvoso
Encontrasse sua vez
22.11.12
Sem Engano
Das tuas dores só lhe tomo uma
Nenhuma que um dia curarei
Nem sei até quando posso ser
Beber de você o que vier
Se for, só me chame se lembrar
De falar dessas coisas que não sei
Sou rei nesse teu castelo bambo
De escambo, de amor e de prazer
Já soube, mas agora nem me lembro
Do escombro que já foi meu coração
Mas não, não me canso de tentar
Penar nessa tua imensidão
Chorei, chorarei, mas sem engano
Nos planos que eu fiz, a gente chora
E agora, que sou feito cão sem dono
Sem sono, no pesar da tua demora
Me chama, pra ser teu amor eterno
Quão terno pode ser o nosso amor
Que dor, de ser teu e não ser nada
Na calada de mil noites de torpor
Nenhuma que um dia curarei
Nem sei até quando posso ser
Beber de você o que vier
Se for, só me chame se lembrar
De falar dessas coisas que não sei
Sou rei nesse teu castelo bambo
De escambo, de amor e de prazer
Já soube, mas agora nem me lembro
Do escombro que já foi meu coração
Mas não, não me canso de tentar
Penar nessa tua imensidão
Chorei, chorarei, mas sem engano
Nos planos que eu fiz, a gente chora
E agora, que sou feito cão sem dono
Sem sono, no pesar da tua demora
Me chama, pra ser teu amor eterno
Quão terno pode ser o nosso amor
Que dor, de ser teu e não ser nada
Na calada de mil noites de torpor
21.11.12
Espera
Ele trazia consigo mazelas
Ele vinha senil de viver
Só queria chegar na janela
E assistir seu amor renascer
Mas a janela não era aquela
E o amor já cansou de morrer
Ou quiçá seu amor fora embora
Como outrora ele teve de ir
E o que pode ser feito agora
Se a janela continua ali
Se no claustro da sua demora
Seu amor fez-se desiludir
Por que sim, por que não, sem porquê
Sem remédio pro seu coração
Porque sabe quem deve saber
Que quem vai nunca volta pro então
Que se ir for o amanhecer
Há de ser a volta escuridão
Foi-se embora na aurora sem rumo
Sem janela pra lembrar no mar
Foi-se velho, sujo, moribundo
Foi-se, sem ter pra onde voltar
E nem todo o amor desse mundo
Vai voltar pra janela e esperar
Ele vinha senil de viver
Só queria chegar na janela
E assistir seu amor renascer
Mas a janela não era aquela
E o amor já cansou de morrer
Ou quiçá seu amor fora embora
Como outrora ele teve de ir
E o que pode ser feito agora
Se a janela continua ali
Se no claustro da sua demora
Seu amor fez-se desiludir
Por que sim, por que não, sem porquê
Sem remédio pro seu coração
Porque sabe quem deve saber
Que quem vai nunca volta pro então
Que se ir for o amanhecer
Há de ser a volta escuridão
Foi-se embora na aurora sem rumo
Sem janela pra lembrar no mar
Foi-se velho, sujo, moribundo
Foi-se, sem ter pra onde voltar
E nem todo o amor desse mundo
Vai voltar pra janela e esperar
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