Eu olho pro teto, eu espero
Escrevo, leio, esqueço,
Espero.
Eu não sei pelo quê espero
Me descabelo, me condeno
Espero.
Impaciente, desesperada
Pela rejeição pressuposta,
Pelo meu próximo erro imperdoável,
Pelo pico de alegria,
Pelo lapso de tristeza,
Inexoravelmente espero.
Não entendo e não me iludo,
não me calo e não me acudo,
não me perco e não me acho,
Espero.
Na esperança de não esperar mais.
Não é tristeza, é só espera,
por algum evento que justifique a ânsia.
Não é nenhum vazio melancólico,
só é um vazio verdadeiramente vazio.
Eu não quero e não pondero,
Eu não falo e não reclamo,
Eu não sei e não me julgo,
Eu não odeio e não amo.
E enquanto isso eu espero
Por qualquer coisa de humano,
por um motivo pra entender.
Eu sorrio
e espero.
5.3.12
4.3.12
Catarse
O dia de chuva,
As costas na cama,
Os pés nus na areia,
As mãos de quem ama.
O encontrar dos lábios,
A beira do abismo,
O vento no rosto,
Aquele sorriso.
O mergulho no mar,
A noite estrelada,
O auge da festa,
O delito velado.
O fôlego tardio,
A tangente do mundo,
O doce da lingua,
O raso do fundo.
A epifania secreta,
A catarse da entrada,
O empirismo do ser,
O ser e o nada.
O anseio do mundo
Por nada e por tudo
tal qual o claro
anseia o escuro
Assim como o toque implica no beijo
E a cumplicidade espera o olhar
Assim como o quase pretende o zero
e assim como o céu almeja o mar.
As costas na cama,
Os pés nus na areia,
As mãos de quem ama.
O encontrar dos lábios,
A beira do abismo,
O vento no rosto,
Aquele sorriso.
O mergulho no mar,
A noite estrelada,
O auge da festa,
O delito velado.
O fôlego tardio,
A tangente do mundo,
O doce da lingua,
O raso do fundo.
A epifania secreta,
A catarse da entrada,
O empirismo do ser,
O ser e o nada.
O anseio do mundo
Por nada e por tudo
tal qual o claro
anseia o escuro
Assim como o toque implica no beijo
E a cumplicidade espera o olhar
Assim como o quase pretende o zero
e assim como o céu almeja o mar.
28.2.12
Ser são
São mãos, são braços, são pernas
são aneis, correntes, sapatos
São os outros disfarçados de um só
sou só eu me escondendo do cansaço
Só vivo, pois morrer eu já não sei
só corro, pois parar já não me resta
só calo porque o dia já acabou
e não aprendi a ficar só sem delirar
Eu não penso linear, nem ando linear
nunca falo o que eu quero, e nunca quero falar
não me vejo no espelho, vejo o que voce vê
Quero existir, mas sem saber ao que restar
Quero o sabor de me encontrar longe de mim
eu quero ser tudo o que vem depois do fim
Porque é fácil esquecer de me lembrar.
são aneis, correntes, sapatos
São os outros disfarçados de um só
sou só eu me escondendo do cansaço
Só vivo, pois morrer eu já não sei
só corro, pois parar já não me resta
só calo porque o dia já acabou
e não aprendi a ficar só sem delirar
Eu não penso linear, nem ando linear
nunca falo o que eu quero, e nunca quero falar
não me vejo no espelho, vejo o que voce vê
Quero existir, mas sem saber ao que restar
Quero o sabor de me encontrar longe de mim
eu quero ser tudo o que vem depois do fim
Porque é fácil esquecer de me lembrar.
12.4.11
Simbiose II
Meu toque agudo perfura-te o toque suave
Tal qual olhar predador de encontro à presa,
Censurando o tempo que nos veda a eternidade
e o espaço implacável que nos separa do infinito.
Desabamos um sobre o outro como mortos,
na ciência plena da existência destes momentos
como os raríssimos segundos onde vivemos.
Plena e discretamente, vivemos um ao outro.
Tal qual olhar predador de encontro à presa,
Censurando o tempo que nos veda a eternidade
e o espaço implacável que nos separa do infinito.
Desabamos um sobre o outro como mortos,
na ciência plena da existência destes momentos
como os raríssimos segundos onde vivemos.
Plena e discretamente, vivemos um ao outro.
26.12.10
Odisseia
Pelos teus flancos fui poeta.
Profetizei a tua beleza em carne,
Reescrevi o teu encanto em dor,
Colonizei a tua mente escassa
E declarei ao tempo o meu amor.
Pelos teus toques fui músico.
Assoviei teu corpo exato em lá,
Admiti meu pandemônio em dó,
Compus teu canto em notas magistrais
E me calei de encontro ao teu melhor.
Comtemplando a tez das tuas ancas
Aceleradas e mecânicas amiúde
Confiei em minha plenitude,
Fui poeta, fui músico e fui rude,
Fui tanto que no fim fui só.
Profetizei a tua beleza em carne,
Reescrevi o teu encanto em dor,
Colonizei a tua mente escassa
E declarei ao tempo o meu amor.
Pelos teus toques fui músico.
Assoviei teu corpo exato em lá,
Admiti meu pandemônio em dó,
Compus teu canto em notas magistrais
E me calei de encontro ao teu melhor.
Comtemplando a tez das tuas ancas
Aceleradas e mecânicas amiúde
Confiei em minha plenitude,
Fui poeta, fui músico e fui rude,
Fui tanto que no fim fui só.
Cais
A água-viva morta na areia
A onda morta na baía viva
A água-viva viva na água
Água a vida na baía morta
A menina viva morrendo de dor
A dor menina morrendo de água
A água morta morrendo de vida
E a água-viva morta na praia
Na areia suja o cadáver de água
Na água suja o cadáver de areia
Na mente viva o cadáver de ideia
Da sujeira que pinta a defunta praia
A onda morta na baía viva
A água-viva viva na água
Água a vida na baía morta
A menina viva morrendo de dor
A dor menina morrendo de água
A água morta morrendo de vida
E a água-viva morta na praia
Na areia suja o cadáver de água
Na água suja o cadáver de areia
Na mente viva o cadáver de ideia
Da sujeira que pinta a defunta praia
16.12.10
Interseção
Teu timbre sussurra a melodia estática dos meus pés ofegantes
Enquanto me assalta os ouvidos com juras eternas de timbre.
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