17.8.13

goteira

o céu quase chove
sem fingir de doce
sem brincar de sol
venta um pouco
e pia,



e pinga,


e passa.

volta manso
sem rumo e sem pressa
sem dança
sem nada
fica,


foge,

fala.

nem pra chover,
nem pra ventar,
eu chovo sozinha
e o céu d e v a g a r.

22.5.13

Maré cheia

Se o mar te levou
Quem sou eu pra buscar
Vai lá, vai lá
Pra junto de iemanjá
Vê a lua no mar
Lá na espuma do mar
Vai lá, vai lá
Vai brincar de cantar
Com as sereias do mar
E as doçuras do mar
Vai lá, vai lá
Que as torturas de amar
Deixa às ondas do mar
Que elas vem me contar
Vai lá, vai lá
Que com as conchas do mar
E as lamúrias do mar
Eu tratei de ficar
Vai lá, vai lá
Que não podes voltar.

Fantasmas

Eu quero assombrar teus ouvidos
Amarrar teus braços
Roubar tuas palavras

Eu quero arruinar suas festas
Puxar teus cabelos
Matar teus fantasmas

Lhe devolver minhas doenças
Tossir meu veneno
Me trazer de volta

Ressucitar meu sorriso
Te furar a pele
Cessar tua escolta

Eu quero assombrar teus braços
Roubar teu ouvidos
Amarrar palavras

Eu quero querer-te terno
Mas já que não quero
Quero-te, calada

29.4.13

Pequena

(ler devagar)

Deixa pra lá
Não precisa entender
(não vou explicar)
Seja o que for, sem sentido
Só vou ouvir teus gemidos
impacientes.
E vou esperar paciente
Pelos teus dedos
inconscientes.
E te levar devagar
Não vou chorar
Não vou chamar
Você vai vir devagar
Arrepiar,
você vai rir
Me deixa louca,
me deixa;
e volta aqui,
pra mim.
Sê assim, cê vai ver
Quanto de mim dá você
Quantos encontros, no entanto
manchados de preto,
brincando de branco.
Passado, presente,
pedaços,
Nas dobradiças dos teus abraços.
Nos fios do teu travesseiro.
Na minha pele,
teu cheiro.
Tua hora:
Teu tempo demora.
Me adora,
devora, flutua.
Sou sua,
Sua,
Apenas.
Até dizer chega,
Sou sua
pequena.

11.4.13

abraçado com o vento;
caminhando sem rumo;
brigado com o tempo;
mais feliz impossível:
só a lua do lado
e você pra lembrar.
Do que me importa
Me fazer de bobo
Se você vem risonha
Só pra rir de mim;

Se você vem mansinha
Do que me importa a falta
Que fazes amiúde
Sem pensar em mim;

Do que me vale o choro
Se você vem sorrindo
E não lhe importa o quanto
Eu chorei por você;

Se logo de manhã
Você já vem de manha
E eu faço seus caprichos
Só pro meu prazer;
 
E sabes mais que eu
Que não importa a hora
Pra ter você juntinho
E te fazer sorrir;

E eu peno já calado
Pleno com teus abraços
E abro-te os meus braços
Quando lhe convier.