11.4.13

abraçado com o vento;
caminhando sem rumo;
brigado com o tempo;
mais feliz impossível:
só a lua do lado
e você pra lembrar.
Do que me importa
Me fazer de bobo
Se você vem risonha
Só pra rir de mim;

Se você vem mansinha
Do que me importa a falta
Que fazes amiúde
Sem pensar em mim;

Do que me vale o choro
Se você vem sorrindo
E não lhe importa o quanto
Eu chorei por você;

Se logo de manhã
Você já vem de manha
E eu faço seus caprichos
Só pro meu prazer;
 
E sabes mais que eu
Que não importa a hora
Pra ter você juntinho
E te fazer sorrir;

E eu peno já calado
Pleno com teus abraços
E abro-te os meus braços
Quando lhe convier.

15.3.13

embaixo da cama

guardado ali, pequeninho,
nosso amor de travesseiro
ainda chora embaixo da cama;
junto aos fios do teu cabelo
e ao par perdido do meu chinelo branco.

10.3.13

Lotação

O dia amanhece, vivo
Ainda fedendo a noite
Imaculado o suficiente
-no entanto-
Pras portas não ficarem trancadas.
E o amanhecer é motivo pra falar, sem motivo:
"Você viu?"
No ciclo intermitente de fingir que sim
E acenar com a cabeça.
Em velada aprovação à depravação
Do aluguel irrentável dos meus ouvidos
(mas não tem problema,
se o café estiver quente).
O dia te corta, árduo.
O sol não agrada o mundo real,
E ninguém diz que o dia está lindo
Quando fazem 37 graus e você tem algo pra fazer da vida.
Mas o tempo corre como um rio,
sem você pra dizer que sim ou que não.
E a única verdade desse dia
É que ele está lindo.
E o tempo passa...
Mas foda-se o tempo,
Eu só tenho de correr...
E talvez gostar de alguem antes do dia acabar.

14.2.13

borboletinha

Voa borboleta, voa
Voa pra longe daqui
Você que é pequena e bonita
Você, que chegou pra partir

Voa pela vida à toa
Voa, sem ter pra onde ir
Espalha de cor a cidade
E fique à vontade
Pra ir sem fugir

Sai dessa minha janela
Não que eu não lhe queira aqui
Mas já que tens asas tão belas
Me deixa as mazelas
E vai por aí

5.2.13

De antes de antes de ontem II

Não direi que o seu afago não conforta
Que as lembranças do seu corpo não me acudem
Não direi que se eu sair por essa porta
Minha vida não se entorta e eu não morro de ciúmes

Foram dele os meus sorrisos de criança
E só dele minhas teias de mulher
Foram dele cada uma das lembranças
E, pra mim, se acaba a dança é só porque ele já não quer

Não lhe digo que pra mim não há ninguém
Pois se o digo cada vez me entrego mais
Se é por isso que com ele não há paz
E as coisas que outro faz não me fazem nenhum bem

Dei-lhe parte em me afagar a solidão
Que tratou de machucar ainda mais
E ainda que só puxe-me pra trás
Não há nada que ele faça que me faça dizer não

18.1.13

Fumaça Pouca

Fora rápido e viscoso
Qual o limo da manhã
Fora o inevitável imã
Foi-se só e foi-se todo

Fora a lágrima do dia
Que em telhados a dançar
Foi-se embora sem pensar
Pelo sol que lhe assistia

Em percalços de prazer
Foram risos de alegria
Que os fizeram anoitecer

Foram sós a fim de ser
Foi-se, enfim, melancolia
E apagaram-se pra arder