Voa borboleta, voa
Voa pra longe daqui
Você que é pequena e bonita
Você, que chegou pra partir
Voa pela vida à toa
Voa, sem ter pra onde ir
Espalha de cor a cidade
E fique à vontade
Pra ir sem fugir
Sai dessa minha janela
Não que eu não lhe queira aqui
Mas já que tens asas tão belas
Me deixa as mazelas
E vai por aí
14.2.13
5.2.13
De antes de antes de ontem II
Não direi que o seu afago não conforta
Que as lembranças do seu corpo não me acudem
Não direi que se eu sair por essa porta
Minha vida não se entorta e eu não morro de ciúmes
Foram dele os meus sorrisos de criança
E só dele minhas teias de mulher
Foram dele cada uma das lembranças
E, pra mim, se acaba a dança é só porque ele já não quer
Não lhe digo que pra mim não há ninguém
Pois se o digo cada vez me entrego mais
Se é por isso que com ele não há paz
E as coisas que outro faz não me fazem nenhum bem
Dei-lhe parte em me afagar a solidão
Que tratou de machucar ainda mais
E ainda que só puxe-me pra trás
Não há nada que ele faça que me faça dizer não
Que as lembranças do seu corpo não me acudem
Não direi que se eu sair por essa porta
Minha vida não se entorta e eu não morro de ciúmes
Foram dele os meus sorrisos de criança
E só dele minhas teias de mulher
Foram dele cada uma das lembranças
E, pra mim, se acaba a dança é só porque ele já não quer
Não lhe digo que pra mim não há ninguém
Pois se o digo cada vez me entrego mais
Se é por isso que com ele não há paz
E as coisas que outro faz não me fazem nenhum bem
Dei-lhe parte em me afagar a solidão
Que tratou de machucar ainda mais
E ainda que só puxe-me pra trás
Não há nada que ele faça que me faça dizer não
18.1.13
Fumaça Pouca
Fora rápido e viscoso
Qual o limo da manhã
Fora o inevitável imã
Foi-se só e foi-se todo
Fora a lágrima do dia
Que em telhados a dançar
Foi-se embora sem pensar
Pelo sol que lhe assistia
Em percalços de prazer
Foram risos de alegria
Que os fizeram anoitecer
Foram sós a fim de ser
Foi-se, enfim, melancolia
E apagaram-se pra arder
Qual o limo da manhã
Fora o inevitável imã
Foi-se só e foi-se todo
Fora a lágrima do dia
Que em telhados a dançar
Foi-se embora sem pensar
Pelo sol que lhe assistia
Em percalços de prazer
Foram risos de alegria
Que os fizeram anoitecer
Foram sós a fim de ser
Foi-se, enfim, melancolia
E apagaram-se pra arder
8.1.13
Todo
Quem me dera agora
Um pedaço de aurora
Pra chamar de meu
Quem me dera agora
Gris e sem demora
Um pedaço de céu
Quem me dera ver-te
Feito em filme antigo
Preta, branca e muda
Com final escrito
Só queria ter-te
Qual me tens de todo
Qual me sabes certo
Pra acender teu fogo
Mas aqui e agora
Na minha demora
O céu traz a aurora
Com final escrito
Preta e branca história
Arde no teu fogo
Certamente exato
Pra me teres, todo
Um pedaço de aurora
Pra chamar de meu
Quem me dera agora
Gris e sem demora
Um pedaço de céu
Quem me dera ver-te
Feito em filme antigo
Preta, branca e muda
Com final escrito
Só queria ter-te
Qual me tens de todo
Qual me sabes certo
Pra acender teu fogo
Mas aqui e agora
Na minha demora
O céu traz a aurora
Com final escrito
Preta e branca história
Arde no teu fogo
Certamente exato
Pra me teres, todo
2.1.13
Ninar
Calma, agora, menina
Dorme junto com a lua
Esquece o choro da rua
Brinca de ser mulher
Seca o pranto, menina
Deita teu corpo nas nuvens
Pede às estrelas que inundem
O céu de tanto brilhar
Deixa o mundo, pequena
Dança balé no teu sonho
Esquece os teus desenganos
Lembra de mim quando der
Fecha os olhos, menina
E não me vê indo embora
Deixando a certeza que agora
Teu sono é só teu pra ninar
Dorme junto com a lua
Esquece o choro da rua
Brinca de ser mulher
Seca o pranto, menina
Deita teu corpo nas nuvens
Pede às estrelas que inundem
O céu de tanto brilhar
Deixa o mundo, pequena
Dança balé no teu sonho
Esquece os teus desenganos
Lembra de mim quando der
Fecha os olhos, menina
E não me vê indo embora
Deixando a certeza que agora
Teu sono é só teu pra ninar
Desencontro
Será que esses dias não passam de ser
Se ontem era bom, e hoje nem sei
Se ora sou eu e ora não sou ninguem
Se eu te encontrei, me perdi e me achei
Nas idas e vindas dos nossos momentos
Perdi muito mais do que a fome de estar
No ventre vazio dos meus sentimentos
Perdi o que tinha, querendo ganhar
Nas noites, ao longe, eu te via dormir
E longe, eu queria estar lá pra acordar
Queria estar perto e não ver-te partir
Queria poder não deixar-te passar
Mas a vida é curta, louca e intermitente
E a gente se perde antes de se encontrar
E às vezes a gente se encontra e nem sente
E perde pra sempre a vontade de achar
Se ontem era bom, e hoje nem sei
Se ora sou eu e ora não sou ninguem
Se eu te encontrei, me perdi e me achei
Nas idas e vindas dos nossos momentos
Perdi muito mais do que a fome de estar
No ventre vazio dos meus sentimentos
Perdi o que tinha, querendo ganhar
Nas noites, ao longe, eu te via dormir
E longe, eu queria estar lá pra acordar
Queria estar perto e não ver-te partir
Queria poder não deixar-te passar
Mas a vida é curta, louca e intermitente
E a gente se perde antes de se encontrar
E às vezes a gente se encontra e nem sente
E perde pra sempre a vontade de achar
26.12.12
De pés bem varridos e outras coisas mais
Não pense que um dia eu saí
Sorrindo sem quê por você.
Não é porque quero-te aqui,
Que podes vir quando quiser.
Não é porque a falta me faz
De boba e do que lhe calhar,
Que podes chegar feito onda
E levar minhas conchas pro mar.
Meus dias são poucos e meus.
E tens de mim, poucos e bons.
E, desses nossos dias, há céus,
Manhãs e manchas de batom.
Não trate-me feito boneca,
Mas cuide de mim como tal.
E um dia eu talvez seja dessas
Meninas que gostam do igual.
Se fosses de mim o melhor,
Serias ainda ruim.
E os restos do que foi um só
Seriam, pois, restos ao fim.
Não ligo, não quero dizer;
Não quero matar nem morrer;
Tentar e perder, a mercê;
Se for por você,
Não serve pra mim.
Sorrindo sem quê por você.
Não é porque quero-te aqui,
Que podes vir quando quiser.
Não é porque a falta me faz
De boba e do que lhe calhar,
Que podes chegar feito onda
E levar minhas conchas pro mar.
Meus dias são poucos e meus.
E tens de mim, poucos e bons.
E, desses nossos dias, há céus,
Manhãs e manchas de batom.
Não trate-me feito boneca,
Mas cuide de mim como tal.
E um dia eu talvez seja dessas
Meninas que gostam do igual.
Se fosses de mim o melhor,
Serias ainda ruim.
E os restos do que foi um só
Seriam, pois, restos ao fim.
Não ligo, não quero dizer;
Não quero matar nem morrer;
Tentar e perder, a mercê;
Se for por você,
Não serve pra mim.
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