29.4.13

Pequena

(ler devagar)

Deixa pra lá
Não precisa entender
(não vou explicar)
Seja o que for, sem sentido
Só vou ouvir teus gemidos
impacientes.
E vou esperar paciente
Pelos teus dedos
inconscientes.
E te levar devagar
Não vou chorar
Não vou chamar
Você vai vir devagar
Arrepiar,
você vai rir
Me deixa louca,
me deixa;
e volta aqui,
pra mim.
Sê assim, cê vai ver
Quanto de mim dá você
Quantos encontros, no entanto
manchados de preto,
brincando de branco.
Passado, presente,
pedaços,
Nas dobradiças dos teus abraços.
Nos fios do teu travesseiro.
Na minha pele,
teu cheiro.
Tua hora:
Teu tempo demora.
Me adora,
devora, flutua.
Sou sua,
Sua,
Apenas.
Até dizer chega,
Sou sua
pequena.

11.4.13

abraçado com o vento;
caminhando sem rumo;
brigado com o tempo;
mais feliz impossível:
só a lua do lado
e você pra lembrar.
Do que me importa
Me fazer de bobo
Se você vem risonha
Só pra rir de mim;

Se você vem mansinha
Do que me importa a falta
Que fazes amiúde
Sem pensar em mim;

Do que me vale o choro
Se você vem sorrindo
E não lhe importa o quanto
Eu chorei por você;

Se logo de manhã
Você já vem de manha
E eu faço seus caprichos
Só pro meu prazer;
 
E sabes mais que eu
Que não importa a hora
Pra ter você juntinho
E te fazer sorrir;

E eu peno já calado
Pleno com teus abraços
E abro-te os meus braços
Quando lhe convier.

15.3.13

embaixo da cama

guardado ali, pequeninho,
nosso amor de travesseiro
ainda chora embaixo da cama;
junto aos fios do teu cabelo
e ao par perdido do meu chinelo branco.

10.3.13

Lotação

O dia amanhece, vivo
Ainda fedendo a noite
Imaculado o suficiente
-no entanto-
Pras portas não ficarem trancadas.
E o amanhecer é motivo pra falar, sem motivo:
"Você viu?"
No ciclo intermitente de fingir que sim
E acenar com a cabeça.
Em velada aprovação à depravação
Do aluguel irrentável dos meus ouvidos
(mas não tem problema,
se o café estiver quente).
O dia te corta, árduo.
O sol não agrada o mundo real,
E ninguém diz que o dia está lindo
Quando fazem 37 graus e você tem algo pra fazer da vida.
Mas o tempo corre como um rio,
sem você pra dizer que sim ou que não.
E a única verdade desse dia
É que ele está lindo.
E o tempo passa...
Mas foda-se o tempo,
Eu só tenho de correr...
E talvez gostar de alguem antes do dia acabar.

14.2.13

borboletinha

Voa borboleta, voa
Voa pra longe daqui
Você que é pequena e bonita
Você, que chegou pra partir

Voa pela vida à toa
Voa, sem ter pra onde ir
Espalha de cor a cidade
E fique à vontade
Pra ir sem fugir

Sai dessa minha janela
Não que eu não lhe queira aqui
Mas já que tens asas tão belas
Me deixa as mazelas
E vai por aí

5.2.13

De antes de antes de ontem II

Não direi que o seu afago não conforta
Que as lembranças do seu corpo não me acudem
Não direi que se eu sair por essa porta
Minha vida não se entorta e eu não morro de ciúmes

Foram dele os meus sorrisos de criança
E só dele minhas teias de mulher
Foram dele cada uma das lembranças
E, pra mim, se acaba a dança é só porque ele já não quer

Não lhe digo que pra mim não há ninguém
Pois se o digo cada vez me entrego mais
Se é por isso que com ele não há paz
E as coisas que outro faz não me fazem nenhum bem

Dei-lhe parte em me afagar a solidão
Que tratou de machucar ainda mais
E ainda que só puxe-me pra trás
Não há nada que ele faça que me faça dizer não